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‘Mulheres que Ensaboam Palavras’ retorna às cidades em que foi gravado com exibições gratuitas

O filme foi gravado em cidades do Cariri e do Centro-sul do Ceará

Nas margens do Rio Jaguaribe, no sertão do Ceará, vivem mulheres que fizeram poesia com as mãos e sabão. São as lavadeiras, figuras que há gerações compartilham, entre cantos e silêncios, a força de um gesto ancestral: lavar roupas, lavar histórias, lavar o tempo.

É sobre elas o longa “Mulheres que Ensaboam Palavras”, uma produção de Rizoma Produções Artísticas, Alquimia da Palavra, Costureiras de Histórias e InCartaz, com direção de Tâmara Bezerra e Marcelo Paes de Carvalho. O filme percorre sete cidades cearenses: Orós, Iguatu, Jucás, Cariús, Quixelô, Tarrafas e Antonina do Norte para recolher memórias que escorrem como água sobre a pedra.

Na viagem de reconhecimento realizada meses atrás pela equipe do filme, Marcelo Paes de Carvalho, um dos diretores, relata que teve real dimensão da força que essas mulheres tinham. “Elas claramente sentiam-se importantes por estarem sendo escutadas, invisibilizadas a vida inteira, mas a verdade é que as nossas vidas é que estavam sendo tocadas por aquelas histórias contadas por senhoras de cabelo branco e mãos calejadas pelos anos exercendo o ofício de lavadeiras na beira do Rio Jaguaribe” conta o diretor

O diretor ainda acrescenta sobre a realização em produzir o filme: “para nós, equipe, é uma honra eternizar histórias dessas mulheres que, a cada peça de roupa ‘quarada’ ao sol, ajudaram inconscientemente a construir a nossa identidade brasileira.”

Mais que um documentário, é um mergulho. As imagens lavam a alma. Os sons são de pedra e de voz. A trilha vem do trabalho: pano torcido, mãos em compasso, sabão em espuma e cantos entre uma história e outra. Cada mulher filmada carrega consigo um mundo.

E em agosto de 2025, esse mundo retorna para casa. O filme será exibido em praças públicas das cidades onde nasceu, a céu aberto, como quem estende panos no varal. A partir do dia 18, as lavadeiras se verão pela primeira vez no cinema. Sim, pela primeira vez: das 22 entrevistadas, apenas uma já tinha ido ao cinema.

A devolutiva será também um ato de encontro. Um novo corte será criado com esses momentos: lavadeiras assistindo a si mesmas em uma tela gigante de cinema. Um espelho em movimento, onde memória, afeto e pertencimento se cruzam.

“Mulheres que Ensaboam Palavras” é um canto coletivo. Um retrato vivo da oralidade feminina do sertão. Uma celebração à sabedoria que se transmite com o corpo, com o gesto, com a terra e com a água.

Este projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo, com recursos do Governo do Estado do Ceará, reforçando o compromisso com o fomento à cultura, à memória popular e às vozes do Brasil profundo.

Serviço — Exibição do filme “Mulheres que Ensaboam Palavras” nas comunidades

●            19/08 – Antonina do Norte

●            20/08 – Jucás

●            21/08 – Iguatu e Quixelô

●            22/08 – Saboeiro

●            23/08 – Orós

●            24/08 – Tarrafas

Fonte e foto: assessoria

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